Pular para o conteúdo principal

Billy Kwong: Cozinha chinesa com responsabilidade

Se você gosta dos programas de culinária da TV a cabo,  você certamente deve conhecer, além do Jamie Oliver, Gordon Ramsay e Curtis Stone, a Kylie Kwong.

Kylie-Kwong

Kylie Kwong é australiana com ascendência chinesa. É conhecida no Brasil pela série “A deliciosa China de Kylie Kwong", transmitida pelo canal pago GNT.

Aqui na Austrália é uma das chefs celebridades, com vários livros, DVDs e convidada especial em inúmeros programas de gastronomia como o MasterChef e Junior MasterChef, esse último teve sua final na última terça-feira.

Ela também tem um restaurante aqui em Sydney, chamado Billy Kwong localizado no modernete bairro de Surry Hills.

Billy_kwong_logo

Ao lado de restaurantes também estrelados e caríssimos, o Billy Kwong parece intimidar quem passa pela Crown Street. O ambiente é muito pequeno, intimista e apenas uma mesa com um vaso de flor separa o salão da cozinha.

Não há filas, não há a possibilidade de reservar mesa. Mas está sempre lotado. De segunda a domingo. O segredo? Vou te contar…

Chegamos lá por volta das 20h30. O host pegou meu nome e celular e nos avisou que a espera seria de 50 minutos. Sim, meu caro… quase 1 hora numa terça-feira. E que ele me ligaria quando a mesa estivesse pronta. Ou seja, nada de fazer filas na porta. Fomos para um pub na frente do restaurante e em exatos 50 minutos, ele me ligou dizendo que nossa mesa estava pronta.

Apenas 2 garçonetes tomam conta do salão. Tira os pedidos e traz a comida. O vinho branco da casa é delicioso, mas não vendem a garrafa fechada. Se quiser levar pra casa, tem que levar a garrafa aberta. O motivo: eles não são bottle shop! (Aqui na Austrália, é proibido vender bebidas alcoólicas em supermercados, só em lojas especiais, as bottle shops).

Os preços no cardápio parecem razoáveis para o padrão de Sydney: variam entre 30 e 48 dólares o prato principal. Pedi o prato assinatura da Kylie: Pele crocante de pato ao molho cítrico.

Apesar do nome assustador, a pele tem carne de pato… hehe

E o surpreendente: Todos os pratos servem duas porções. A porção extra de arroz custa 3,50 dólares. Uma bagatela na cidade.

Todo o cardápio é feito com animais orgânicos criados livres (nada de gaiolas) e as frutas e vegetais, além de serem orgânicos são biodinâmicos (comida biodinâmica é orgânica, mas de uma maneira mais filosófica, baseada em ciclos lunares e rituais cósmicos).

Todos os molhos de soja, café, chá, chocolate, vinagre, açúcar e óleos são orgânicos e “fair trade” (comércio justo e ético)

A Kylie também foi a pioneira em neutralizar a emissão de todo o carbono que seu restaurante produz.

A comida é deliciosamente simples, sem grandes malabarismos culinários. O meu prato estava harmonicamente impecável: o azedo, doce e cítrico do molho com a carne suculenta e a pele crocante do pato.

A sobremesa do dia, uma simples pêra poché com crême e chocolate. Não sou muito fã de pêra, mas estava bem boa…

Os preços foram bem justos, e, pra ser bem honesto, a conta foi bem abaixo de qualquer outro restaurante de padrão menor.

Ao sair de lá, você consegue entender a razão de Kylie Kwong ter o melhor restaurante chinês da Austrália e ser uma chef de cozinha com orgulho da profissão.

Para ver mais fotos, veja o álbum abaixo:

 

Billy Kwong
3/355 Crown St, Surry Hills
Tel: +61 (02) 9332-3300
Sydney, Austrália

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

É... O tomate tá ficando caro no mundo todo!!

Nova York levando café a sério

A dinâmica presente no DNA de Nova York se mostra presente também na cena de cafés especiais.   A cada ano que passa fica evidente a vocação de Nova York para, assim como Porltand, Seatle e São Francisco, ser um ponto de referência de cafés especiais.   Visitei e re-visitei nas últimas duas semanas aproximadamente 30 cafés especiais em Nova York além de lugares onde o nova-iorquino consome boa parte da bebida como Mc Donalds, Dunkin Donuts e, claro, Starbucks.   Gorjetas   Uma coisa que me chamou atenção esse ano foi a gorjeta. Culturalmente, as gorjetas variam de 10 a 15% do valor do pedido. Quase todos os cafés de NY hoje usam um iPad como POS ou ponto de venda (a nova geração da tela da caixa registradora) e simplesmente giram a tela para o consumidor colocar o quanto gostaria de dar de gorjeta.   É fato que muita gente nos EUA vive com o dinheiro dessas gorjetas, que é muitas vezes maior que o valor do salário. Mas aqueles 10 ou 15% tradicionais estão virando coisa do passado. Algu

Torta de Ameixas da Marian Burros

Entre 1983 e 1989, o The New York Times publicou durante os meses de setembro uma receita de torta de ameixas da chef Mariam Burros. Em 1989, o editor resolveu que seria o último ano que essa receita seria publicada no jornal. No ano seguinte, uma enxurrada de cartas pedindo a publicação da receita fez com que o jornal voltasse a publicar. Desde então, todos os anos, em setembro, a receita volta a ser publicada tradicionalmente no NYT. Em uma enquete há 5 anos atrás para escolher a receita favorita dos leitores, essa torta de ameixa foi eleita com 3 vezes mais votos que a segunda colocada. De onde vem esse apego? Talvez pela simplicidade da receita e por quase zero chances de dar errada. Ou talvez por ser tão versátil e substituir as ameixas por qualquer outra fruta. De fato, é muito simples, rápido e o resultado surpreende. Torta de Ameixas da Marian Burros Ingredientes: - 3/4 de uma xícara de açúcar (ou 130g) - 1/2 xícara de manteiga sem sal (ou 115g), em temperatura ambiente. - 1